sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Historia da Magia (Bruxaria)

Desde a mais remota Antigüidade, o homem sente necessidade do divino, de um grande pai (ou mãe) poderoso, imortal, que seja mais forte do que ele mesmo e possa protegê-lo do que é inatingível, inacessível, sem controle. Existiam deuses que regiam ou protegiam tudo que era muito precioso, mas de que o homem não conseguia cuidar sozinho: sua colheita, seu alimento, a água, etc. A grande inimiga/amiga era a natureza: ela trazia todo o alimento e condição de sobrevivência, mas também, como uma mulher muito temperamental, de uma hora para outra, tomava tudo, matando e dizimando. O homem não conseguia compreender nem controlar os fenômenos físicos da natureza que ameaçavam e causavam fome, fragilidade , morte e outros sofrimentos. E os deuses estavam ali, no inconsciente coletivo de todas as criaturas para suprir as necessidades do homem de comer, viver de forma saudável, caçar, não morrer...

O homem desde o princípio dos tempos teme a morte, que se apresenta sob as mais diferentes formas e tenta negociar e barganhar com a Morte ou compreendê-la através de rituais.

No princípio, todos os deuses eram agrários. Tanto na África, quanto na Grécia, Egito e Mesopotâmia, todos cultuavam e adoravam deuses agrários, para conseguir fartura e abundância. Para todos esses povos, inclusive para os celtas, as divindades principais eram femininas. Elas eram Deusas Mães, com suas diversas faces: terríveis, doces, sexuais.

O Egito também cultuava deusas femininas, até que houve o domínio dos sumo sacerdotes, e a divinização de deuses masculinos, que (achavam esses sacerdotes) traziam poder e riqueza.

Temos registros históricos envolvendo a Magia e o Sacerdócio desde 6000 a.C. Com o advento da religião cristã, muito do culto a esses deuses se perderam, foram abolidos, as pessoas que os cultuavam foram perseguidas impiedosamente, para que a Igreja tivesse poder absoluto. Muitas pessoas foram mortas, por acreditarem e cultuarem outras divindades que não as cristãs; muito da cultura e da sabedoria desses povos foi perdida ou queimada.

A Igreja, com o intuito de que as pessoas do povo substituíssem rituais pagãos por rituais cristãos, apropriou-se de datas e períodos importantíssimos para o povo e transformou-os em festas de conteúdo cristão.

É importante notar que, mesmo com todo o apelo do materialismo, o ser humano ainda tem necessidade absoluta de sonhar, fantasiar. Para algumas pessoas isso até é mais fundamental que o dinheiro.

Os deuses que eram cultuados por esses povos pagãos eram profundamente humanos, dados a ódios e amores intensos. Toda a mitologia nos fala de divindades muito parecidas com os seres humanos: fortes, mas ao mesmo tempo fracas, passíveis de amar loucamente, de perseguir, de atacar, de brincar, de rir.

Já o Deus cristão do Antigo Testamento era impiedoso, implacável. Não seria interessante percebermos que, talvez até por isso, os deuses pagãos (gregos, romanos, africanos...) sobreviveram até hoje?

E importante que se fale um pouco sobre o povo celta que, de todos os acima citados, foi o que mais conservou sua integridade e seus deuses. Os celtas cultuavam basicamente uma deusa tríplice, cuja referência são as fases da Lua. Ela podia ser terrível, velha e implacável (Lua minguante), se transformava em uma vestal caçadora (Nova) e na generosa e sensual mãe (Cheia). A Magia estava em tudo que faziam, em suas roupas, seus objetos , suas jóias e casas.

Para os celtas a magia não era desconectada do cotidiano, era tão natural como respirar e fazia parte de todas as suas atividades. Estava em sua arte, na manipulação artística dos metais, principalmente a prata, na poesia, na política e na administração. Conciliavam o material ao espiritual, isso porque os celtas cultuavam divindades muito ligadas à natureza e à caça.

Os celtas extraiam todo o seu poder do contato com energias da natureza. Não acreditavam em linguagem escrita e seus druidas eram profundos conhecedores das plantas, das ervas, das pedras e dos espíritos dementais.

Compreender e atuar através da Magia Celta eqüivale a se propor um profundo conhecimento da natureza, dos elementais, dos quatro elementos, das pedras e das plantas. Sem isso a Magia Celta inexiste.

Rituais que envolvem a natureza e os eleementais estão presentes no Xamanismo, no paganismo e Wicca, ou a Religião da Grande Deusa.

É muito importante que se enfatize que a Magia é completamente despida de religiosidade, no sentido que nós conhecemos, ou seja, categorizando um Deus e o colocando-o dentro de uma igreja ou outra. Claro que será mais fácil para uma pessoa que conheça alguns fundamentos espíritas, pagãos ou xamânicos compreender e aceitar alguns fenômenos da Magia, mas isso não impede que uma pessoa que professe uma religião dogmática entenda e participe da Magia.


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