O que é Magia?
Desde a mais remota Antigüidade, o homem sente necessidade do divino, de um grande pai (ou mãe) poderoso, imortal, que seja mais forte do que ele mesmo e possa protegê-lo do que é inatingível, inacessível, sem controle.
Existiam deuses que regiam ou protegiam tudo que era muito precioso, mas de que o homem não conseguia cuidar sozinho: sua colheita, seu alimento, a água, etc. A grande inimiga/amiga era a natureza: ela trazia todo o alimento e condição de sobrevivência, mas também, como uma mulher muito temperamental, de uma hora para outra, tomava tudo, matando e dizimando. O homem não conseguia compreender nem controlar os fenômenos físicos da natureza que ameaçavam e causavam fome, fragilidade , morte e outros sofrimentos.
E os deuses estavam ali, no inconsciente coletivo de todas as criaturas para suprir as necessidades do homem de comer, viver de forma saudável, caçar, não morrer...
O homem desde o princípio dos tempos teme a morte, que se apresenta sob as mais diferentes formas e tenta negociar e barganhar com a Morte ou compreendê-la através de rituais.
No princípio, todos os deuses eram agrários. Tanto na África, quanto na Grécia, Egito e Mesopotâmia, todos cultuavam e adoravam deuses agrários, para conseguir fartura e abundância. Para todos esses povos, inclusive para os celtas, as divindades principais eram femininas. Elas eram Deusas Mães, com suas diversas faces: terríveis, doces, sexuais.
O Egito também cultuava deusas femininas, até que houve o domínio dos sumo sacerdotes, e a divinização de deuses masculinos, que (achavam esses sacerdotes) traziam poder e riqueza.
Temos registros históricos envolvendo a Magia e o Sacerdócio desde 6000 a.C. Com o advento da religião cristã, muito do culto a esses deuses se perderam, foram abolidos, as pessoas que os cultuavam foram perseguidas impiedosamente, para que a Igreja tivesse poder absoluto. Muitas pessoas foram mortas, por acreditarem e cultuarem outras divindades que não as cristãs; muito da cultura e da sabedoria desses povos foi perdida ou queimada.
A Igreja, com o intuito de que as pessoas do povo substituíssem rituais pagãos por rituais cristãos, apropriou-se de datas e períodos importantíssimos para o povo e transformou-os em festas de conteúdo cristão.
É importante notar que, mesmo com todo o apelo do materialismo, o ser humano ainda tem necessidade absoluta de sonhar, fantasiar. Para algumas pessoas isso até é mais fundamental que o dinheiro.
Os deuses que eram cultuados por esses povos pagãos eram profundamente humanos, dados a ódios e amores intensos. Toda a mitologia nos fala de divindades muito parecidas com os seres humanos: fortes, mas ao mesmo tempo fracas, passíveis de amar loucamente, de perseguir, de atacar, de brincar, de rir.
Já o Deus cristão do Antigo Testamento era castigador, inimigo, impiedoso, implacável. Não seria interessante percebermos que, talvez até por isso, os deuses pagãos (gregos, romanos, africanos...) sobreviveram até hoje?
E importante que se fale um pouco sobre o povo celta que, de todos os acima citados, foi o que mais conservou sua integridade e seus deuses. Os celtas cultuavam basicamente uma deusa tríplice, cuja referência são as fases da Lua. Ela podia ser terrível, velha e implacável (Lua minguante), se transformava em uma vestal caçadora (Nova) e na generosa e sensual mãe (Cheia). A Magia estava em tudo que faziam, em suas roupas, seus objetos , suas jóias e casas.
Para os celtas a magia não era desconectada do cotidiano, era tão natural como respirar e fazia parte de todas as suas atividades. Estava em sua arte, na manipulação artística dos metais, principalmente a prata, na poesia, na política e na administração. Conciliavam o material ao espiritual, isso porque os celtas cultuavam divindades muito ligadas à natureza e à caça.
Os celtas extraiam todo o seu poder do contato com energias da natureza. Não acreditavam em linguagem escrita e seus druidas eram profundos conhecedores das plantas, das ervas, das pedras e dos espíritos elementais.
Compreender e atuar através da Magia Celta eqüivale a se propor um profundo conhecimento da natureza, dos elementais, dos quatro elementos, das pedras e das plantas. Sem isso a Magia Celta inexiste.
Rituais que envolvem a natureza e os elementais estão presentes no Xamanismo, no paganismo e em Wicca, ou a Religião da Grande Deusa.
E muito importante que se enfatize que a Magia é completamente despida de religiosidade, no sentido que nós conhecemos, ou seja, categorizando um Deus e o colocando-o dentro de uma igreja ou outra. Claro que será mais fácil para uma pessoa que conheça alguns fundamentos espíritas, pagãos ou xamânicos compreender e aceitar alguns fenômenos da Magia, mas isso não impede que uma pessoa que professe uma religião dogmática entenda e participe da Magia.
A Magia, seja ela qual for, visa à estrutura e ao equilíbrio. Busca como objetivo conhecermos nossa verdadeira essência, nos estruturarmos como seres humanos íntegros e reconhecermos a centelha de Deus que está dentro de todos nós. Não elimina problemas, mas ajuda imensamente a enfrentá-los da forma correta e até a diminuir o seu tamanho.
A Magia é a arte, disciplinada e consciente, de trabalhar com as forças sutis, sejam da natureza, sejam cósmicas, sejam da própria vontade e determinação e usá-las direcionando-as a um objetivo que seja importante para o Mago ou para quem o mago está direcionando a magia.
Então, o que é Magia Branca e Magia Negra, das quais tanto ouvimos falar?
A INTENÇÃO é tudo na Magia. Se você direciona sua energia ou invoca seja lá que auxiliares forem para conseguir crescimento, evolução, energia, harmonia e saúde, ótimo: você está praticando Magia Branca.
Mas, se você achar justo e legítimo interferir um pouquinho que seja no livre arbítrio do outro, modificando um pouquinho que seja sua vontade e caminhada, você já não está mais fazendo Magia Branca...
Como você pode reparar, Magia Branca pode parecer muito chata e complicada, pois temos a impressão de que ela nunca traz exatamente o que queremos: aquele namorado ou namorada que ansiamos ou pelo qual estamos apaixonados, dinheiro, aquele trabalho pelo qual estamos ansiando etc.
Mas não é bem assim: quando vibramos de uma forma constante amor, equilíbrio, harmonia, prosperidade, fartura, com certeza uma hora isso tudo acaba acontecendo. E o que não acontecer...E porque não é para acontecer.
Então, como pretendemos falar nesse tipo de magia, aqui vai a primeira regrinha: todas as fórmulas usadas em invocações se fazem em cima desta frase: Se for para o meu bem imediato e permanente. Essa frase é uma espécie de cinto de segurança do mago, para que não sejam quebradas nenhuma das leis cósmicas.
Tudo na Magia é mente. É a intenção da mente humana que transforma qualquer coisa em boa ou ruim. Por isso, a primeira coisa que temos que trabalhar é nossa mente. Temos que discipliná-la e torná-la um instrumento importante do nosso querer. É necessário usarmos alguns mecanismos de segurança importantes, como por exemplo, nunca fazer nada, nem acender uma única velinha para alguém que estejamos com raiva, tenha nos agredido ou ofendido ou causado mágoas. Claro que Magia é poder e você irá perceber isso quando começar a praticá-la. Por isso mesmo não vale à pena gastar energia com esse tipo de pessoa. Depois você pode se arrepender.
A grande maga cabalista Dion Fortune nos fala em seu livro Magia Aplicada uma coisa muito importante: Para uma magia de ódio, é necessário que a pessoa tenha todo o necessário ódio interno, e para uma magia de amor, toda a força que só o amor proporciona. Ou seja, toda a energia que você vai usar em Magia está dentro de você. Por isso, cuidado!
A Magia basicamente é um esforço da mente para condensar através de rituais, invocações, objetos, música etc, energias contidas na natureza, no cosmos ou em figuras arquetípicas (no caso do Taro) e melhorar o próprio padrão mental, eliminando pensamentos negativos, padrões de comportamento e posturas erradas diante da vida e dos problemas.
Vou dar um exemplo para ajudar na compreensão: quando você começa a estudar Astrologia, Taro, Mitologia, você aprende que Mercúrio é Hermes, é também o Mago do Taro e é responsável pelo brilho, a auto estima, a esperteza, a capacidade de ver a vida com beleza e brilho. Assim, quando você aciona Mercúrio para obter todas essas qualidades, você está trabalhando com três forças conjuntamente: A primeira é sua própria mente, seu ego, pois você está modificando com essa invocação seus padrões mentais, e, naquele momento, acionando as forças positivas de crédito em você mesmo. A segunda é o inconsciente coletivo: quando você invoca Mercúrio, é como se você estivesse acessando um grande computador cósmico, e tomando contato com todas as forças benéficas de Mercúrio.
E a terceira é o Cosmos: quando você invoca Mercúrio, está clamando por todos os sábios, mestres e espíritos de luz que trabalham com essas maravilhosas energias para que lhe ajudem no seu propósito.
O processo é tão intenso, que, se você se propuser a ele constantemente, vai perceber com o tempo, uma mudança positiva nos seus padrões de ver a vida, de encarar seus problemas. E o mais importante: você realmente vai fazer as coisas acontecerem.
A Magia não é palpável, não pode ser aprisionada, mas, para quem a vive, torna-se real e concreta.
A magia ritual pode ser uma faca de dois gumes para quem não se conhece bem (e quem realmente se conhece bem?), ou não tem noção exata dos seus propósitos. Ela nos revela nosso lado oculto, e muitas vezes não muito bonito, de forma que o conselho é ser o mais honesto possível consigo mesmo e que haja muito auto conhecimento e disciplina aliados a qualquer ritual ou a qualquer prática mágica.
Uma das maneiras boas de termos segurança do que queremos e das nossas intenções é fazendo sempre, a cada magia que começamos, um "contrato". O contrato se faz no início de cada ritual; é uma espécie de carta que escrevemos à energia a qual nos propomos a invocar e deve ser feito com muita precisão, ou seja, local, data, começo e fim do ritual, propósito, agradecimento, (vamos falar mais sobre isso em outros assuntos afins )
É muito importante também criarmos um espaço mágico, para que essas energias possam ser condensadas e fortalecidas. Esse espaço mágico pode ser um altar, que cabe até numa mesinha de cabeceira, ou um círculo que pode ser traçado no chão todas as vezes que formos fazer um ritual. E nesse ponto da nossa história todo mundo começa a ter problemas: uns não querem expor para sua família o que acreditam ou sentem, outros não têm espaço físico, moram em apartamentos pequenos e assim por diante. Claro que o ideal seria termos nosso altar nem que fosse em um quarto bem pequenino só nosso, ou em um lugar da casa onde nos sintamos bem confortáveis, mas nem sempre isso é possível. Então, se você quiser praticar magia e tiver problemas de espaço, sempre poderá procurar lugares na natureza para fazer seus rituais. Só que não conseguirá fazer rituais mais prolongados.
O fundamental talvez seja decidir o que você quer e o que é realmente importante para sua vida e, assim, ver até onde você pode apostar contrariando os padrões sociais. Mas, não adianta tentar fazer um altar, por exemplo, e depois passar o tempo todo com medo de que as pessoas o vejam e de ter que dar satisfações.
A magia é feita com a nossa parte mais criativa, sonhadora, irracional, intuitiva, passiva, imaginativa. Esse nosso lado se alimenta de símbolos, de palavras mágicas, de incenso, de velas, pedras, flores e ervas. Quando usamos esses elementos em um ritual, nosso racional, crítica e medo do ridículo adormecem, dão um tempo e essas outras forças que existem dentro de nós, mas que são guardadas pois não se aplicam à nossa realidade cotidiana, podem atuar.
Para iniciarmos o processo de mudança de sintonia, mudança essa tão necessária à magia, o primeiro passo é conhecer melhor o nosso lado oculto para tentar tirar maior proveito de todos os nossos potenciais e qualidades e também mudar os maus hábitos mentais que são os pensamentos negativos sobre nós mesmos, as mentiras que nos protegem, as velhas frases como eu não posso ou eu não consigo. Na magia não existe a palavra NÃO.
Intenção
Os quatro poderes do Mago são: SABER, OUSAR, QUERER, CALAR. SABER significa adquirir o conhecimento para realizar a magia ritual, pois essa magia é feita com o uso do aprendizado e da disciplina. OUSAR praticá-la. QUERER desejar a manifestação. CALAR, não contar para ninguém o que se faz. Falar acerca da magia ou de qualquer movimento mágico significa dispersar todas as forças energéticas que são condensadas com o ritual.

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